segunda-feira, março 19, 2007

Para o meu pai...

Hoje é dia do pai…

O meu pai já é velhote (se ele lesse isto ia começar logo a dizer que não é nada velho, e, vistas as coisas até não é), tem o cabelo grisalho, uma barriga generosa, um bigode (como todos os pais da geração dele têm) e é sportinguista.

Quando era pequena achava sempre que o meu pai era o pai mais corajoso e valente. Hoje acho que o meu pai é o melhor do mundo e, que se não fosse ele não teria tido as oportunidades que tive.
Se não fosse o esforço do meu pai não teria tido oportunidade de ter estudado, ter andado na universidade que quis, não teria feito a minha primeira viagem de avião, não teria tido o meu primeiro computador. Sem o meu painão teriavisto o meu primeiro jogo de futebol, sem ele não teria chorado de tristeza, sem ele não teria ficado aliviada por saber que já estava melhor

Do meu pai herdei algumas características. A determinação e a ambição vêm do lado paterno. (A doçura da mãe faz a mistura ideal ;) pelo menos no caso da mana). Por isso vô hoje também pensamos em ti, por todo o amor que não conseguiste dar, mas sei que olhas por nós, com o sorriso malandro que sempre tiveste

Do pai do meu pai, o avô Afonso (sim, porque os avôs também são pais, pelo menos os meus pais são «pais em segundo grau do Lucas e do Tomás) não me lembro muito. Infelizmente faleceu quando ainda era pequena

Sou sportinguista, também , por influência do meu pai! E, graças a Deus que o meu pai é verdinho…Odiaria que lá em casa alguém fosse vermelhito. Lembro-me das manhãs passadas no velhinho Estádio de alvalade a ver os miúdos jogarem futebol, os iniciados e os juvenis.

Com o meu pai comecei a ler jornais. Foi, aliás, graças à sua curiosidade e, ao seu desejo em aprender que ainda pequena mal conseguia folhear um jornal enorme como era a Bola que me deitava no chão da sala fascinada com o que os jornalistas e comentadores escreviam. Foi garças ao meu pai, já uns anos mais tarde que comecei a ler o Independente . o Independente do Paulo Portas (qua saudades).

Foi com o meu pai que comecei a partilhar e a discutir as minhas primeiras convicções políticas.

E, a minha máquina de escrever foi o meu pai que me deu. Percebendo já o meu dejeo em ser jornalista que estimulava o meu bichinho.

Apesar de todas as nossas discussões, acho que temos mais em comum do que coisas que nos distanciem.
Confesso que gosto muito mais do pai de agora, o meu pai que é avô. O pai que confessa que até tem frio, que não tem vergonha de estar a ver tv com a sua mantinha.
Gosto mais do pai que tem tempo para as filhas, para os netos. Do pai que o meu pai se transformou.

Apesar de tudo….gosto muito de ti

Sim..eu sei…que não vais ler, mas pelo menos eu sei que escrevi o que sinto!

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